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Passando a limpo
O banho: da Roma antiga até hoje
 
Título Livro: Passando a limpo
Editora: Larousse do Brasil
Autor: Katherine Ashenburg
Tradução: Débora Ginza e Luís Fragoso
Nº de Páginas: 302
Preço: R$ R$ 49,90
 
A tarefa de tomar-se banho (ou não) é o ponto de partida de Katherine Ashenburg para uma história original da vida privada. Em “Passando a Limpo” mais recente lançamento da editora Larousse do Brasil, a jornalista do The New York Times faz o leitor aprofundar-se na história da limpeza que vai além do hábito de lavar-se; segundo a autora, estar limpo se estende a vida espiritual, moral, sexual e social.
Durante sua pesquisa e, ouvindo inúmeros depoimentos, Katherine observou que na sensibilidade aos odores, a limpeza está na mente daquele que o busca. Para ela, cada cultura tem sua própria definição de limpeza, escolhe o que considera seu ponto de equilíbrio entre o nojento e o demasiadamente rigoroso. A convicção de que a limpeza é uma marca importante de civilidade é comum tanto ao americano moderno quanto ao francês do século XVII. (Os europeus durante 400 anos, tiveram pavor à água, eles acreditavam que o linho tinha admiráveis propriedades de limpeza e então, banhavam-se trocando de camisa).
Nosso mundo superdesodorizado é potencialmente tão insalubre quanto o do século XVII. E, como em qualquer outra era, nossa definição de “limpo” diz muito sobre nós. A mania de querer cheirar a manga, morango, ou outra fragrância, denota também uma insatisfação com o próprio corpo, com o próprio cheiro e também a uma educação questionável do nosso olfato que registra o nosso cheiro natural como algo repulsivo. Katherine conta uma passagem, da sua vida pessoal, que mostra nitidamente que o cheiro do corpo só incomoda – muitas vezes - a áquele que enxerga a imundície. Quando criança ela convivia muito com a avó materna, que trabalhava na limpeza da casa, fazia pães e raramente tomava banho. Katherine relata que avó cheirava a odor abafado e acre de suor vencido, mas que o cheiro da senhora nunca a incomodou - ela amava a avó - até que um dia, anos mais tarde, ela e o marido se hospedaram em um velho hotel na Alemanha, lá eles tiveram contato com as arrumadeiras, que segundo ela, tinham o mesmo cheiro da avó, e misteriosamente o cheiro das senhoras era repulsivo.

Outro relato curioso durante a pesquisa de Katherine é que inúmeras pessoas perguntaram a ela sobre o hábito dos europeus - entre os séculos XVI e XVIII – de não tomarem banho; se eles não sentiam o mau cheiro, ou se não tinham dificuldades em se relacionarem sexualmente. Segundo a autora, num lugar onde todos cheiram mal ninguém fede. O sexo nunca foi problema para os europeus, aliás, numa passagem a autora relata o diálogo - em uma carta - entre Napoleão Bonaparte e Josefina. - Volto para Paris amanhã à noite, não tome banho.
Embora as pessoas hoje tenham dificuldade em aceitar esse fato, pelo menos em público, a relação entre sexo e limpeza sem odores não é constante, nem tampouco previsível. Os egípcios antigos faziam de tudo para manter-se limpos, mas ambos os sexos recobriam os genitais com perfumes criados para aprofundar e exagerar o aroma natural desses órgãos. Grande parte das civilizações antigas reconhecia que nas circunstancias adequadas, o característico mau cheiro do corpo humano podia ser um afrodisíaco poderoso.
A autora chama a atenção também para a importância da limpeza, do banho na espiritualidade. Para os cristãos, por exemplo, o mergulho nas águas, durante o batismo, purifica o homem e o deixa limpo para seguir uma nova vida.

Recheado de anedotas divertidas e insights surpreendentes sobre nossas noções de privacidade, saúde, individualidade, religião e sexualidade, Passando a limpo nos leva a uma viagem que pode ser intrigante, assustadora, bizarra ou cômica. O livro apresenta ilustrações curiosas de várias civilizações durante seus rituais de limpeza, como do mergulho em uma banheira (1.700 a.C) em Creta, as casas de banho na Roma Antiga (que foram responsáveis por pestes e consequentemente pelos 400 anos de sujeira na Europa), os lencinhos umedecidos que limpavam apenas as partes íntimas, etc. Há também fotos de anúncios antigos de banheiras, sabonetes e um especificamente que dizia: Sabão e água estimulam o auto-respeito.

Autora: Katherine Ashenburg escreve sobre viagens para o jornal The New York Times, trabalha como editora de Artes e Livros para Globe and Mail e como produtora da Rádio CBC. Seus livros incluem Going to Town: Architectural Walking Tours in Southern Ontário (visitando a cidade: Um passeio arquitetônico pelo sul de Ontário) e The Mourner’s Dance: What We Do When People Die (O que fazer quando as pessoas morrem). Ela vive em Toronto.


 
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